Morgado de Fafe

O Morgado de Fafe, personagem literária consagrada na obra camiliana, demanda uma consciência crítica contra uma visão de sociedade enfeudada em artificialismos. A figura do rústico morgado minhoto marcada pela dignidade, honestidade, simplicidade e capacidade de trabalho, assume uma contemporaneidade premente, nesse sentido este espaço na blogosfera pretende ser uma plataforma de promoção de valores, de conhecimento e de divulgação dos trabalhos, actividades e percurso do escritor e historiador Daniel Bastos.

sábado, 17 de fevereiro de 2018

A presença portuguesa na Birmânia



Durante o primeiro trimestre deste ano vai ser lançada, pela Gradiva e a Macaulink, com o apoio do Instituto Internacional de Macau, a versão portuguesa do livro “Cannon Soldiers of Burma”, de James Myint Swe, uma obra incontornável sobre a presença multissecular portuguesa na Birmânia.

Situada a sul da Ásia continental, e limitada ao norte e nordeste pela China, a leste pelo Laos, a sudeste pela Tailândia, ao sul pelo Mar de Andamão e pelo Canal do Coco, a oeste pelo Golfo de Bengala e a noroeste pelo Bangladesh e pela Índia, a Birmânia, oficialmente República da União de Myanmar, encerra ainda hoje como sustenta James Myint Swe, marcas vivas da presença pioneira dos portugueses na Ásia.

O investigador formado em Ciência Política pela Universidade de Western Ontário no Canadá, salienta a existência neste território asiático, nas mesmas zonas onde os portugueses se estabeleceram nos sécs. XVI e XVII, de populações descendentes dos navegadores, mercadores, exploradores e soldados do período da expansão marítima. 

Como anota o autor com raízes birmanesas, a presença pioneira dos portugueses na Ásia no séc. XVI e XVII, catalisadora dos primeiros contactos entre a Europa e o Oriente, subsiste nas atuais comunidades bayingys, uma etnia birmanesa conhecida como o “povo de olhos verdes”, cujas populações de cabelo e pele clara, maioritariamente católicas, conservam afinidades com o imaginário coletivo português.   

Num período em que a diplomacia e a projeção cultural têm desempenhado um papel fundamental na política externa portuguesa, e a língua de Camões é uma das mais faladas no mundo, é importante que o país não deixe cair no esquecimento o seu contributo ecuménico na história mundial. 

É a partir do valioso legado histórico da diáspora portuguesa, que Portugal deve continuar a afirmar-se no seio das nações como um país construtor de pontes de diálogo e cooperação entre povos, que no caso da antiga Birmânia pode ter um importante contributo na consolidação da democracia na atual Myanmar. Este estreitar de laços de amizade e cooperação, por via de um passado comum na Ásia, um imenso território de oportunidades e crescimento, pode inclusivamente revelar-se estratégico na prossecução da internacionalização da economia portuguesa e da afirmação de Portugal no mundo.

sábado, 10 de fevereiro de 2018

Na Ponta da Língua - Histórias, Memórias e Inovação na Emigração



Nos últimos anos a emigração portuguesa tem captado o interesse dos investigadores sociais e da comunidade académica, como demonstra a realização de diversas iniciativas e projetos de investigação, que não são alheias ao peso estruturante que o fenómeno migratório ocupa em Portugal.  
Um dos projetos de pesquisa mais recentes sobre a emigração portuguesa está a ser dinamizado no âmbito da atividade científica do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra (CES-UC). Intitulado “Na Ponta da Língua: Histórias, Memórias e Inovação na Emigração”, este projeto pioneiro tem como objetivo geral aplicar uma metodologia inovadora de ensino e preservação da língua e cultura portuguesas através da recolha e análise de histórias da emigração portuguesa.

Trata-se de uma metodologia participativa através da qual a socialização - oral, escrita e encenada-, das histórias da emigração portuguesa narradas na primeira pessoa como experiências biográficas passam a servir um propósito didático e cívico. 

O trabalho de investigação tem incidido sobre três destinos da emigração lusa, designadamente Newark (EUA), Paris (França) e São Paulo (Brasil). Territórios onde a equipa feminina multidisciplinar, composta pelas investigadoras Elsa Lechner (CES), Clara Keating (CES), Graça Capinha (CES), Deolinda Adão (UC Berkeley), Graça dos Santos (Université Paris Nanterre), Karen Worcman (Museu da Pessoa) e Kimberly DaCosta Holton (Rutgers-Newark University), tem desenvolvido trabalhos dedicados às histórias de emigração portuguesa.

Articulando pessoas e instituições culturais e académicas, este projeto convida assim a um novo olhar sobre as histórias de emigração portuguesa, que segundo o grupo de cientistas sociais, constitui um património invisível da língua e cultura portuguesas, amplamente presente nas narrativas e histórias de vida dos emigrantes.

Financiado pela Fundação Calouste Gulbenkian, uma relevante fundação portuguesa com a missão filantrópica de fomentar o conhecimento e melhorar a qualidade de vida através das artes, ciência e educação, este projeto singular evidencia igualmente as enormes potencialidades e peculiaridades de trabalho do mundo académico no seio da diáspora portuguesa, um enorme e fecundo universo socio-histórico que tem necessariamente que ser estudado nas suas diversas dimensões e vertentes.

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018

Tomada de posse da nova Comissão Política do PS-Fafe



A nova Comissão Política Concelhia do Partido Socialista em Fafe, liderada por Daniel Bastos, toma posse no próximo sábado (10 de fevereiro) às 15h00, na Sala Manoel de Oliveira, no Teatro Cinema.

Daniel Bastos, novo líder do PS-Fafe

A sessão pública de tomada de posse, contará com a presença do Presidente da Federação Distrital do PS-Braga, Joaquim Barreto, da Secretária-Coordenadora da JS-Fafe, Marisa Brochado, e do Presidente da Câmara Municipal de Fafe, Raúl Cunha.

A tomada de posse da nova Comissão Política Concelhia do Partido Socialista em Fafe, uma das maiores concelhias socialistas do distrito e do país, eleita com a moção “Unir, Renovar e Fortalecer”, marca assim o início de um renovado ciclo do PS em Fafe.

No decurso do mandato para o biénio de 2018/2020, a estrutura liderada por Daniel Bastos assume como principais linhas de orientação estratégica a união e fortalecimento da família socialista em Fafe; a envolvência e participação dos militantes na vida interna da secção; a representatividade da estrutura local nos órgãos distritais e nacionais do PS; a colaboração com o Executivo Municipal e o Grupo Parlamentar Municipal do PS na prossecução do desenvolvimento sustentado de Fafe; e a realização de campanhas mobilizadoras e dinâmicas que contribuam para uma grande vitória nacional do PS nas Eleições Europeias, assim como uma vitória nacional com maioria absoluta nas Eleições Legislativas de 2019.

domingo, 4 de fevereiro de 2018

Emigrar ou não? A questão que se coloca aos jovens médicos do Norte



A constância do fenómeno da emigração qualificada portuguesa ao longo dos últimos anos tem colocado a Portugal cenários e desafios (des) estruturantes do ponto de vista socioeconómico. 

Dentro desse quadro socioprofissional, um dos grupos onde tem sido notória a apetência pelo estrangeiro é o dos profissionais de saúde portugueses. Segundo dados das Ordens da Saúde, no final do ano de 2015 havia 13 mil enfermeiros, 5 mil médicos, 2 mil farmacêuticos e mil dentistas emigrados no estrangeiro, mormente no Reino Unido, na França, na Holanda, na Bélgica e na Suíça.

As motivações da saída destes profissionais de saúde são transversais e continuam a marcar a agenda nacional. Ainda no termo do ano passado foi divulgado um estudo intitulado A carreira médica e os factores determinantes da saída do SNS, baseado em inquéritos a três grupos distintos de profissionais inscritos na Secção Regional do Norte da Ordem dos Médicos, que aponta que metade dos médicos a fazer a formação na especialidade admite a possibilidade de emigrar no final do internato.

O estudo, conduzido pela investigadora Marianela Ferreira, do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto (ISPUP), em colaboração com o bastonário da Ordem dos Médicos, revela que a maioria dos jovens médicos do Norte estão genericamente insatisfeitos com as longas jornadas de trabalho, a falta de oportunidades de progressão e a escassa remuneração que usufruem. 

Estando previsto a breve trecho o alargamento deste primeiro grande trabalho sobre a carreira médica realizado em Portugal, a outras regiões do país (Centro e Sul), cujas conclusões provavelmente não serão muito diferentes destas, o estudo conduzido pela investigadora Marianela Ferreira mostra a urgência do país encontrar soluções para não continuar a perder o valioso capital humano que constituem as jovens gerações qualificadas portuguesas.

Nenhum país, e Portugal não é exceção, antes pelo contrário, consegue projetar o seu futuro com confiança e crescimento sustentado se não tiver capacidade de fixar os seus jovens qualificados, como é o caso paradigmático dos profissionais de saúde que asseguram diariamente a prestação de cuidados de saúde à população.