Morgado de Fafe

O Morgado de Fafe, personagem literária consagrada na obra camiliana, demanda uma consciência crítica contra uma visão de sociedade enfeudada em artificialismos. A figura do rústico morgado minhoto marcada pela dignidade, honestidade, simplicidade e capacidade de trabalho, assume uma contemporaneidade premente, nesse sentido este espaço na blogosfera pretende ser uma plataforma de promoção de valores, de conhecimento e de divulgação dos trabalhos, actividades e percurso do escritor e historiador Daniel Bastos.

domingo, 14 de janeiro de 2018

Empreender 2020 - regresso de uma Geração Preparada



A Fundação AEP, uma entidade nacional de utilidade pública que compõe o chamado Grupo AEP - Associação Empresarial de Portugal, Câmara de Comércio e Indústria, tem vindo desde há dois anos, a desenvolver um projeto estruturante para o país, designado por “Empreender 2020 – O Regresso de uma Geração Preparada”.

Este projeto, que tem como principal objetivo estimular o espírito empreendedor no seio da diáspora portuguesa, com o foco dirigido aos jovens qualificados que nos últimos anos têm deixado o país em busca de um futuro melhor, procura deste modo identificar e fomentar condições para que alguns desses jovens possam regressar a Portugal com o intuito de desenvolverem dinâmicas, incitativas e projetos empreendedores. 

Percecionado como um projeto estratégico para o país, que tem emigrados milhares de jovens qualificados, motivados essencialmente por razões profissionais e razões económicas, ainda no decurso do ano passado o governo português robusteceu a iniciativa através do apoio da rede diplomática e cooperação financeira para o retorno destes jovens portugueses. 

O interesse e utilidade estratégica do regresso desta geração, comummente designada como a “geração portuguesa mais bem preparada de sempre”, estão na base da realização no presente mês, de uma Conferência Internacional, intitulada “Portugal e os Jovens Qualificados da Diáspora”, promovida pela Fundação AEP, no âmbito do Empreender 2020, e que pretende ser um espaço de reflexão e debate sobre o potencial dos jovens qualificados que emigraram nos últimos anos.

O volume de iniciativas, e a rede de parcerias e protocolos que têm sido estabelecidos ao longo dos últimos anos em torno do fenómeno da emigração de jovens qualificados são reveladores do impacto deste êxodo no presente e no futuro de Portugal.

De facto, enquanto os agentes políticos, sociais e económicos não criarem as condições necessárias para fixar no território nacional o imenso capital humano e o produtivo manancial de conhecimento que constituem as jovens gerações portuguesas, operando assim uma indispensável transição de paradigma socioeconómico de emigração para imigração, Portugal perdurará um país adiado, sem jovens e sem futuro. 

domingo, 7 de janeiro de 2018

O trabalho em rede do futuro Museu Nacional da Emigração



No âmbito do projeto do futuro Museu Nacional da Emigração, criação aprovada, como recomendação, pela Assembleia da República, a 27 de outubro do ano transato, foi anunciado então pelo ministro da Cultura, Luís Filipe Castro Mendes, a intenção do Governo vir a estabelecer que os vários museus municipais ligados ao fenómeno da emigração possam constituir-se como polos do vindouro espaço museológico. 

Trata-se de uma estratégia cultural em rede importante, porquanto pelo país encontram-se disseminados vários núcleos museológicos locais e regionais, que ao longo dos anos se têm dedicado à preservação e conhecimento do processo de emigração, um fenómeno estruturante na sociedade portuguesa e com marcas em todos os continentes. Encontram-se neste caso, por exemplo, o Museu das Migrações e das Comunidades, sediado em Fafe, o Espaço Memória e Fronteira, localizado em Melgaço, e o Museu da Emigração Açoriana, instalado na Ribeira Grande, que têm prestado um serviço público de grande relevância na promoção do conhecimento das migrações na diáspora portuguesa.

No entanto, além desta perspetiva desconcentrada e polinuclear proposta pelo Governo, na esteira do projeto de resolução do PS para a criação do museu, sustentado no trabalho do deputado eleito pelo círculo da Europa, Paulo Pisco, e da inclusão no mesmo de um centro de documentação, proposto pelo PSD, é igualmente fundamental que o futuro Museu Nacional da Emigração se articule simultaneamente com outros espaços museológicos espalhados pelas comunidades portuguesas, assim como as inúmeras estruturas associativas portuguesas no estrangeiro.

O prosseguimento de uma estratégia de articulação e cooperação transnacional do futuro Museu Nacional da Emigração, por exemplo, com a Galeria dos Pioneiros Portugueses, um espaço museológico em Toronto, que se dedica à perpetuação da memória e das histórias dos pioneiros da emigração portuguesa para o Canadá, será indubitavelmente uma mais-valia para a comunidade luso-canadiana, assim como para a missão vindoura do Museu Nacional da Emigração. No mesmo sentido, a articulação e cooperação transnacional do futuro Museu Nacional da Emigração com o associativismo luso no estrangeiro é essencial, pois é no seio destes movimentos que residem os vínculos de pertença cultural e se encontram os sinais de integração nos países de acolhimento.

sexta-feira, 29 de dezembro de 2017

A reflexão do Papa sobre a história de Natal e as Migrações



Durante a tradicional Missa do Galo, realizada na noite de 24 de Dezembro na Basílica de São Pedro, em Roma, o Papa Francisco expôs uma reflexão na qual conferiu à história de Natal um sublime paralelismo com os fluxos migratórios dos tempos atuais.

 O Bispo de Roma, e como tal, líder mundial da Igreja Católica, que evocou o nascimento singelo de Jesus como uma “fonte de esperança” para os dias de hoje, comparou a história da viagem de José e Maria, forçados a deixarem a sua terra de Nazaré em direção a Belém “mas cheios de esperança no futuro pelo filho que estava prestes a chegar”, com a história de milhares de pessoas que saem dos seus países de origem em busca de uma vida melhor. 

Numa época em que a humanidade assiste a uma gravíssima crise migratória, expressa, por exemplo, na chegada à Europa nos últimos anos de milhões de pessoas que fogem de conflitos, terrorismo ou perseguições nas suas terras natais, as palavras prementes do Papa Francisco demandam um compromisso e resposta solidária mundial aos grandes movimentos hodiernos de migrantes.

Contrariamente a outros importantes protagonistas do palco mundial, que têm assumido atitudes e posições titubeantes relativamente ao fluxo migratório, o Papa Francisco, ele próprio filho de emigrantes italianos na Argentina, tem desde o início do seu pontificado difundido uma mensagem de responsabilidade e preocupação com os migrantes.

A escolha há quatro anos de Lampedusa para a primeira viagem apostólica do seu pontificado e a primeira de sempre de um Sumo Pontífice à ilha italiana do Mediterrâneo, ponto de passagem para milhares de imigrantes que tentam chegar à Europa, é reveladora do profundo respeito que o Papa Francisco tem pelos milhares de pessoas e famílias que procuram fora dos seus países de origem um futuro melhor.

Ainda no decurso do ano que agora finda, o Papa lançou a campanha "Partilhar a Viagem". Uma iniciativa a favor dos migrantes para ajudar a debelar o crescimento do sentimento anti-imigrante na Europa e nos Estados Unidos da América, que o líder religioso fundamentou com a defesa do princípio basilar que os migrantes são "impulsionados pela virtude cristã da esperança para encontrar uma vida melhor".

sábado, 23 de dezembro de 2017

Feliz Natal e um Bom Ano Novo



Um sincero desejo para todos os amigos, conterrâneos e compatriotas espalhados pelos quatro cantos do Mundo de um Feliz Natal e um Próspero Ano Novo, com o desígnio que nas noites frias de Inverno o calor da nossa amizade acalente os nossos corações, e nos guie no rumo da esperança e solidariedade.
"Holy Family", J. Kirk Richards (American contemporary artist)

quinta-feira, 21 de dezembro de 2017

O II Encontro de Investidores da Diáspora



No passado dia 15 e 16 de dezembro, a atrativa cidade de Viana de Castelo recebeu o II Encontro de Investidores da Diáspora, no Forte de Santiago da Barra, numa iniciativa conjunta da Secretaria de Estado das Comunidades Portuguesas/Gabinete de Apoio ao Investidor da Diáspora (GAID) e do Município de Viana do Castelo.

O encontro, que teve como principal objetivo promover a dinamização do tecido empresarial da diáspora portuguesa e do seu duplo potencial, enquanto origem de fluxos de investimento e destino de iniciativas de diversificação de mercados por parte de empresários portugueses, juntou cerca de meio milhar de investidores lusos vindos de todo o mundo, com particular incidência da França, Brasil, Alemanha, Estados Unidos da América e Moçambique. E computou a presença de diversos membros do Governo, entre eles, os ministros dos Negócios Estrangeiros, da Economia, e do secretário de Estado das Comunidades, assim como de várias entidades públicas, responsáveis por sectores ligados à informação, conhecimento, turismo e investimento.

A plêiade de agentes políticos, económicos e sociais que rumou por estes dias a uma das cidades mais conhecidas do norte do país, é reveladora do potencial da diáspora portuguesa na globalização da economia nacional, na promoção da internacionalização das empresas lusas e no apoio à sua atividade exportadora, na captação de investimento estruturante e na promoção da imagem de Portugal, que ainda recentemente foi o primeiro país europeu a ser eleito o melhor destino turístico do Mundo.

Num mundo cada vez mais global e competitivo, a diáspora lusa que está praticamente presente em todos os países do Mundo, e que entre portugueses e luso-descendentes até à terceira geração ultrapassa os 30 milhões de pessoas, constitui eminentemente um ativo estratégico e incontornável na afirmação internacional de Portugal.

Nesse sentido, a realização do II Encontro de Investidores da Diáspora, ao revigorar uma das ideias-mestras da Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP), designadamente que o país não termina nas fronteiras e é continuado por todos os portugueses que vivem no estrangeiro e contribuem ativamente para o seu desenvolvimento, impele que a sociedade portuguesa em geral, e o Governo em particular, reconheçam e valorizem condignamente os compatriotas das várias comunidades espalhadas pelo Mundo.