Morgado de Fafe

O Morgado de Fafe, personagem literária consagrada na obra camiliana, demanda uma consciência crítica contra uma visão de sociedade enfeudada em artificialismos. A figura do rústico morgado minhoto marcada pela dignidade, honestidade, simplicidade e capacidade de trabalho, assume uma contemporaneidade premente, nesse sentido este espaço na blogosfera pretende ser uma plataforma de promoção de valores, de conhecimento e de divulgação dos trabalhos, actividades e percurso do escritor e historiador Daniel Bastos.

sexta-feira, 26 de maio de 2017

O drama da comunidade portuguesa na Venezuela



As notícias sobre os graves problemas económicos, políticos e sociais que nos chegam diariamente da Venezuela, são reveladoras da situação dramática vivida atualmente neste país da América do Sul, onde há aproximadamente meio milhão de portugueses. 

O peso da emigração portuguesa na Venezuela remonta aos anos 40, prolongando-se até aos anos 80, motivada principalmente pela fuga à pobreza e pela procura de melhores condições de vida. Inicialmente, os portugueses na Venezuela dedicavam-se sobretudo à agricultura, no entanto a partir da segunda metade do séc. XX, a grande maioria, maioritariamente oriunda da Madeira, passou a dedicar-se ao comércio de produtos alimentares, como padarias, pequenas mercearias, lugares de venda de sandes e sumos, e inclusivamente à pequena e média indústria, especialmente no setor das manufaturas.

Perfeitamente integrados na sociedade venezuelana, os emigrantes portugueses, segunda maior comunidade lusa na América Latina, a seguir ao Brasil, são um elo fundamental do processo de desenvolvimento da pátria de Simón Bolívar, assumindo-se hoje os seus negócios e empresas como uma referência, mas também como um alvo de pilhagens e roubos muitas das vezes manchados de sangue.

A situação tem-se agravado nos últimos meses, e a tensão pela falta de bens essenciais, no contexto de uma profunda crise económica e politica, tem gerado violentos protestos e confrontos que já fizeram dezenas de mortos e feridos, assim como inúmeros assaltos a supermercados e lojas.

Num país marcado por uma das taxas de homicídio mais altas do mundo, e pela inexistência de medicamentos em farmácias e hospitais, a falta de segurança e o caminho que a Venezuela parece seguir em direção ao abismo, estão a levar muitos emigrantes a ponderar ou mesmo a partir para Portugal, sendo já notório que há cada vez mais emigrantes a regressar à Madeira.

Não é por acaso que o governo português assumiu publicamente possuir um plano de contingência para a comunidade portuguesa na Venezuela. Os sinais são cada vez mais demonstrativos do drama por que passam esses nossos compatriotas, pelo que a sociedade portuguesa em geral, e a madeirense, em particular, tem que se preparar e unir esforços, em nome da solidariedade nacional, para a eventualidade de ter que receber as centenas de milhares de portugueses que vivem e trabalham na Venezuela.

terça-feira, 23 de maio de 2017

Guimarães recebe apresentação de livro dedicado à emigração portuguesa



No próximo dia 27 de maio (sábado), é apresentado em Guimarães o livro “Rostos da Emigração”, da autoria do escritor e antigo responsável do serviço social da Embaixada de Portugal em Bruxelas, Joaquim Tenreira Martins.
 
Convite
A obra, um relato comovente de experiências de vida de mulheres e homens marcados pelo percurso migratório, é apresentada às 18h00 na Galeria de Arte 9 Séculos, em pleno centro histórico da cidade que viu nascer Portugal.

A apresentação do livro com chancela da Editora Orfeu, e que conta com prefácio da reputada investigadora Maria Manuela Aguiar, estará a cargo do historiador Daniel Bastos, cujo percurso literário tem sido alicerçado junto das comunidades portuguesas.
 
Capa
Segundo Daniel Bastos, o livro “Rostos da Emigração” mergulha no fenómeno migratório português desvendando no seio da dignidade humana a experiência da emigração e a forma como se reflete na vida das famílias.

sexta-feira, 19 de maio de 2017

O ato de inscrição consular única



No decurso da presente legislatura, o Governo tem aprovado em sede de Conselho de Ministros um conjunto significativo de medidas direcionadas às Comunidades Portuguesas, que têm procurado por um lado, modernizar e otimizar a rede consular, e por outro lado, estreitar e cimentar as relações entre Portugal e a sua Diáspora.

Enquadram-se nesta linha de ação política, onde tem assumido papel de destaque o Secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, José Luís Carneiro, a entrada em funcionamento do “Espaço do Cidadão”, em Paris e em São Paulo, consulados onde são realizados anualmente cerca de 400 mil atos consulares; a app “Registo Viajante”, já descarregada por cerca de 10 mil pessoas; a criação da plataforma de ensino da língua portuguesa à distância, denominada “Português Mais Perto”, numa parceria entre o Instituto Camões e a Porto Editora; o recenseamento automático dos portugueses residentes no estrangeiro; e a alteração da lei da nacionalidade que pode ser atribuída a netos de portugueses nascidos no estrangeiro.

É na esteira dessas medidas, que se enquadra o ato de inscrição única consular, uma recente experiência-piloto que o Governo lançou no Consulado Geral de Portugal em Barcelona, e que tem como principal objetivo facilitar a realização de atos consulares dos emigrantes e reduzir redundâncias dos registos. Com este projeto, que o Governo quer estender a todos os postos consulares até 2019, os emigrantes passam a ter de se inscrever nos consulados das regiões para onde emigraram apenas uma vez, deixando de ter de fazer novas inscrições sempre que mudam de morada, como acontece atualmente.

Revendo-me naturalmente na prossecução deste conjunto de medidas empreendidas pelo Governo, dado o explícito reconhecimento e importância que as mesmas conferem às comunidades portuguesas, não posso deixar de reiterar a necessidade imperiosa das mesmas serem acompanhadas a curto e médio prazo de outras medidas de maior envolvência e participação política dos portugueses residentes no estrangeiro. Nesse conjunto de decisões para as Comunidades Portugueses, que o Governo tem que assumir definitivamente com frontalidade e determinação politica, encontram-se a introdução do voto eletrónico para os emigrantes, e o aumento do número de deputados eleitos pelos círculos da emigração, decisões políticas que são fundamentais para reforçar a igualdade entre os portugueses residentes no país e os que vivem no estrangeiro.

sexta-feira, 12 de maio de 2017

Fátima e as Comunidades Portuguesas



O fim-de-semana de 12 e 13 de maio em Portugal fica indelevelmente marcado pela visita do Papa Francisco a Fátima, um dos mais importantes santuários marianos do mundo onde o líder da Igreja Católica celebra o centenário das aparições na Cova da Iria.

Malgrado os diferentes pontos de vista sobre o fenómeno religioso de Fátima, consubstanciados nos que acreditam que na Cova de Iria houve visões ou aparições de Nossa Senhora aos três pastorinhos, e os que defendem que tais acontecimentos não passam de uma montagem da Igreja, o Santuário de Fátima continua a atrair crentes de todo o mundo, e a ocupar um lugar especial na mente e coração de muitos portugueses. 

No conjunto alargado de portugueses que têm no Santuário de Fátima um local de excelência de peregrinação e devoção, encontram-se os emigrantes, sendo já marcante a jornada anual do Migrante a Fátima em agosto, que reúne dezenas de milhares de pessoas, e que se assume como uma comemoração de fé que ultrapassa fronteiras. 

A projeção das comunidades de emigrantes portugueses no mundo levaram inclusive o Papa nas vésperas da sua visita a Fátima a pedir, durante uma audiência pública na Praça de São Pedro, às comunidades portuguesas para o acompanharem na oração nesta passagem por Portugal: “Peço a todos que se unam a mim, como peregrinos da esperança e da paz: que as vossas mãos em oração continuem a sustentar as minhas”.

As palavras do Papa Francisco direcionadas à emigração portuguesa expressam não só a importância dos emigrantes na construção de pontes entre povos e culturas, essência da mensagem universal da Igreja, como deslindam que a religião continua a constituir um fator estruturante de coesão e identificação das comunidades emigrantes.

Ele próprio filho de emigrantes italianos na Argentina, o Papa Francisco reconhece o fenómeno migratório como uma experiência marcante e geradora de transformações sociais em todas as regiões do mundo. Assim se entende o seu reiterado apelo a ideais como a solidariedade, a tolerância e a paz, que se entrelaçam com a Mensagem de Fátima, que continua profundamente atual e a tocar singularmente no âmago de parte significativa da população portuguesa residente no território nacional e no estrangeiro.

terça-feira, 9 de maio de 2017

Universidade de Évora debateu mobilidade e migrações



Na passada terça-feira (9 de maio), a “circulação de pessoas – evolução e perspetivas ao longo da História”, foi o tema central das Jornadas de História e Arqueologia organizadas pelo Núcleo de Estudantes de História e Arqueologia da Universidade de Évora, uma instituição de referência do ensino superior público português. 



Legenda - Durante a sua intervenção nas jornadas em Évora, moderadas pela professora catedrática Fátima Nunes, o historiador Daniel Bastos (dir.) descreveu o fotógrafo Gérald Bloncourt como o guardião da memória e o cronista visual da emigração portuguesa para França nos anos 60. O investigador João Brigola (esq.) realçou a importância dos livros de viagem para o estudo das mentalidades e mobilidades.


 

Legenda – Da dir. para a esq.: professora Filomena Barros, o historiador Daniel Bastos, os docentes Fátima Nunes e João Brigola, e os investigadores João Paulo Salvado e Francisco Mangas

A iniciativa, que decorreu no Palácio do Vimioso, e envolveu alunos e docentes da instituição académica, contou entre os oradores convidados, com a professora Filomena Barros que abordou a “Mobilidade (s): os Muçulmanos no Reino de Portugal”, os investigadores João Paulo Salvado e Francisco Mangas que destacaram as “Elites mercantis no Portugal Moderno: entre o reino e o império”, o docente João Brigola que analisou “O privado que se faz público – viajantes e livros de viagem em Portugal (sécs. XVIII e XIX), o historiador Daniel Bastos que falou sobre “Gérald Bloncourt – o fotógrafo que imortalizou a emigração portuguesa para França nos anos 60”, o arqueólogo António Carlos Silva que assinalou “A Gruta do Escoural, um marco nas rotas migratórias pré-históricas”, e a investigadora Leonor Rocha que expôs os “Movimentos de Populações e/ou espólios na Pré-história com base nos monumentos funerários”.   






O encontro multidisciplinar que cruzou na academia alentejana vários olhares sobre o tema da mobilidade e migrações, uma temática de premente relevância no contexto atual, procurou assim aprofundar e dar a conhecer diferentes estudos e investigações que têm sido realizados sobre o fenómeno migratório que constitui uma constante estrutural da história portuguesa.