Morgado de Fafe

O Morgado de Fafe, personagem literária consagrada na obra camiliana, demanda uma consciência crítica contra uma visão de sociedade enfeudada em artificialismos. A figura do rústico morgado minhoto marcada pela dignidade, honestidade, simplicidade e capacidade de trabalho, assume uma contemporaneidade premente, nesse sentido este espaço na blogosfera pretende ser uma plataforma de promoção de valores, de conhecimento e de divulgação dos trabalhos, actividades e percurso do escritor e historiador Daniel Bastos.

domingo, 19 de novembro de 2017

Emigração, Economia e Participação Política em Portugal



A semana passada ficou marcada pela informação divulgada pelo Eurostat, o Gabinete de Estatísticas da União Europeia, que sustenta que Portugal, com um total de 3343 milhões de euros, tem o maior saldo entre os Estados-membros da UE no que diz respeito às verbas provenientes de pessoas residentes fora do país.

Em 2016, segundo a organização estatística, num total de 24.064 milhões de euros de fluxos de emigrantes na União Europeia, o nosso país detinha a maior fatia (3343 milhões), seguindo-se a Polónia (3014 milhões), o Reino Unido (2454 milhões) e a Roménia (2449 milhões).

Os dados divulgados pela autoridade estatística da União Europeia, revelam assim a influência estruturante do fenómeno migratório em Portugal, um país de emigrantes, que tem nos concidadãos residentes em França (9986 milhões), Reino Unido (7086 milhões), Espanha (6765 milhões) e Alemanha (4214 milhões de euros), os principais destinos e valores do envio das remessas de emigrantes.

Embora sintomática de debilidades estruturais do país, como sejam a escassez de oportunidades, os salários baixos ou a falta de qualidade de vida, a emigração continua a desempenhar um papel fundamental no plano económico nacional.

Nesse sentido, e tendo em linha de conta os dados mais recentes divulgados pelo Eurostat sobre o peso das remessas dos emigrantes da diáspora para Portugal, que nem sequer os vários casos de emigrantes lesados pelas práticas fraudulentas de antigos bancos nacionais parecem colocar em causa, torna-se inadiável o incremento da participação das comunidades portuguesas na vida política do país.

Existindo em Portugal um largo consenso nacional sobre a importância e o papel de dimensão internacional dos cerca de cinco milhões de portugueses espalhados pelo Mundo, ativos incontornáveis da dimensão global da pátria de Camões, urge um debate no seio das esferas politicas sobre a alteração do número de deputados eleitos pelos círculos da emigração. Os atuais quatros mandatos dos dois círculos da emigração, o círculo da Europa e o círculo de Fora da Europa, estão notoriamente desajustados ao peso económico, cultural e politico dos emigrantes, cuja maior envolvência nos destinos do país é fundamental para o desenvolvimento da sociedade portuguesa.

quinta-feira, 16 de novembro de 2017

Universidade de Santiago de Compostela debateu emigração galaico-portuguesa



Na passada quarta-feira (15 de novembro), o eixo temático “Galegos e portugueses além da sua terra” foi o tema central do II Seminário da Cátedra das Migrações organizadas Cátedra UNESCO da Universidade de Santiago de Compostela, uma das mais antigas instituições de ensino superior da Península Ibérica e do mundo.

Da esq. para a dir.: a socióloga Iria Vásquez Silva, o historiador Daniel Bastos, o investigador Camilo Fernández Cortizo, e o professor Domingo González Lopo



A iniciativa, que decorreu na Faculdade de Geografia e História, e envolveu alunos e docentes da instituição académica da Galiza, contou entre os oradores convidados, com a socióloga das migrações galega, Iria Vásquez Silva que abordou “A raia: trânsitos migratórios na fronteira galaico-portuguesa”, o investigador galego Camilo Fernández Cortizo que destacou “A emigração galega no Norte de Portugal (1720-1850) ”, o professor universitário galego Domingo González Lopo que analisou “Os Galegos nos livros de viagem dos séculos XVIII e XIX”, e o historiador português Daniel Bastos que falou sobre “Gérald Bloncourt o fotógrafo da emigração portuguesa”.

O encontro multidisciplinar que cruzou na academia galega vários olhares sobre a temática da emigração, fenómeno que tem um peso estruturante na sociedade luso-espanhola, procurou essencialmente aprofundar e valorizar o papel do fenómeno migratório no desenvolvimento das comunidades galaico-portuguesas, com especial incidência nos espaços transfronteiriços.

domingo, 12 de novembro de 2017

O incremento da entrada de portugueses no Canadá



No início deste mês, o Observatório da Emigração, que tem como um das suas principais missões recolher, harmonizar e analisar informação sobre a evolução e as caraterísticas da emigração portuguesa e das populações portuguesas emigradas, anunciou que no ano de 2016 entraram 845 portugueses no Canadá, mais 3% do que no ano anterior.

Embora estes números obtidos através de dados do Citizenship and Immigration Canada estejam muito longe do número de entradas de portugueses durante as décadas de 1960-70 no país que ocupa grande parte da América do Norte, decénios em que se registaram entradas na ordem de 5,000 por ano, este anúncio mostra o papel estruturante que as autoridades canadianas continuam a atribuir ao fenómeno migratório enquanto força motriz de desenvolvimento.

Conhecida por ser uma nação cujos pilares de cidadania assentam num autêntico mosaico cultural, tanto que no território existem mais de 70 grupos étnicos com mais de 60 línguas, atualmente, por exemplo vivem no Canadá mais de meio milhão de luso-canadianos, representando cerca de 2% do total da população canadiana, esta consciência de abertura e tolerância encontra-se hodiernamente plasmada na figura do jovem primeiro-ministro canadiano Justin Trudeau.

Desde que alcançou o poder em novembro de 2015, Justin Trudeau tem pautado a sua ação politica por uma clara valorização do papel da imigração no crescimento do Canadá, através de um discurso e praxis política diametralmente oposta à do país vizinho americano liderado por Donald Trump.

O bem-sucedido programa de imigração canadiano, que Justin Trudeau não se cansa de enaltecer dentro e além-fronteiras, está indelevelmente ligado ao facto de o segundo maior país em área do mundo possuir uma das mais influentes economias a nível global.  

Não é por acaso, que assistimos atualmente ao incremento da entrada de portugueses no Canadá, ainda no início deste mês o governo canadiano anunciou que pretende aumentar o número de imigrantes para 340 mil por ano até 2020, números que seguramente terão que ser revistos em alta para que a economia permaneça competitiva e o Canadá continue a assumir-se como um dos países mais ricos do mundo.