Morgado de Fafe

O Morgado de Fafe, personagem literária consagrada na obra camiliana, demanda uma consciência crítica contra uma visão de sociedade enfeudada em artificialismos. A figura do rústico morgado minhoto marcada pela dignidade, honestidade, simplicidade e capacidade de trabalho, assume uma contemporaneidade premente, nesse sentido este espaço na blogosfera pretende ser uma plataforma de promoção de valores, de conhecimento e de divulgação dos trabalhos, actividades e percurso do escritor e historiador Daniel Bastos.

domingo, 26 de março de 2017

Bruxelas foi palco de apresentação de livro dedicado à emigração portuguesa

No passado dia 24 de março (sexta-feira), foi apresentado na capital da Europa o livro Gérald Bloncourt – O olhar de compromisso com os filhos dos Grandes Descobridores”.

A obra, concebida pelo historiador português Daniel Bastos a partir do espólio do conhecido fotógrafo que imortalizou a gesta da emigração lusitana para França nos anos 60 e 70, foi apresentada na Embaixada de Portugal em Bruxelas, numa sessão que encheu a Sala Damião de Goes, e que esteve a cargo do editor da Orfeu, Joaquim Pinto da Silva, e da socióloga das migrações Maria Beatriz Rocha – Trindade.
Da esq. para a direita: o historiador Daniel Bastos, a socióloga  Maria Beatriz Rocha-Trindade, o embaixador António Alves Machado, o fotógrafo Gérald Bloncourt e o editor Joaquim Pinto da Silva 

O livro traduzido para português e francês pelo docente Paulo Teixeira, com posfácio da petite portugaise Conceição Tina, e prefaciado pelo reputado pensador Eduardo Lourenço, reúne memórias, testemunhos e mais de centena e meia de fotografias originais da maior importância para a história portuguesa do último meio século. 

No decurso da sessão, que contou com a presença do consagrado fotógrafo, e vários representantes da comunidade e diplomacia portuguesa na capital da Europa, como o Embaixador de Portugal na Bélgica, António Vasco Alves Machado, e a coordenadora da rede de ensino na Bélgica, Carina Gaspar, todos foram unânimes em considerar que as fotografias de Gérald Bloncourt retratam um período marcante da história da emigração portuguesa. Segundo Daniel Bastos, a edição do espólio fotográfico de Gérald Bloncourt constitui “um justo reconhecimento aos protagonistas anónimos da história portuguesa que lutaram aquém e além-fronteiras pelo direito a uma vida melhor e à liberdade”.






















Refira-se que a sessão de apresentação incluiu uma prova de vinho de Porto, um produto emblemático da cultura portuguesa, promovida pela De Wijn Fontein Bvba – A Fonte do Vinho, uma empresa portuguesa sediada na Bélgica que se dedica à distribuição de produtos nacionais.

quinta-feira, 23 de março de 2017

CONVITE - Lançamento de livro sobre a emigração portuguesa em Bruxelas

CONVITE

A (re)construção da figura do emigrante



No início do mês de março, a jornalista Ana Cristina Pereira, que ao longo da carreira se tem debruçado sobre a temática das migrações, e que inclusive no ano passado escreveu o livro "Movimento Perpétuo: História das Migrações Portuguesas", assinou no jornal Público um artigo de referência sobre “A (re)construção da figura do emigrante”.   

Procurando responder às perguntas:Como é que os portugueses residentes em Portugal encaram os portugueses residentes no estrangeiro?”, “Os portugueses residentes no estrangeiro sentem-se apreciados ou depreciados pelos residentes em Portugal?”, “Há um modo de olhar os velhos emigrantes e outro de olhar os novos?” e “ Algo mudou desde que os filhos das classes médias começaram a procurar emprego lá fora?” – a jornalista aborda com mestria as dinâmicas históricas e mais recentes da emigração portuguesa,  confirmando o peso estruturante que o fenómeno continua a ter no país.

Sustentada em abordagens de investigadores da área das migrações, como Elsa Lechner, Albertino Gonçalves, Victor Pereira ou António de Vasconcelos Nogueira, e nas vivências dos conselheiros das comunidades portuguesas, Flávio Alves Martin (Brasil), Nelson Campos (Alemanha), Pedro Rupio (Bélgica), Gabriel Marques (EUA) e Paulo Marques (França), assim como do diretor das publicações Luso Jornal (França e Bélgica), Carlos Pereira, a jornalista evidencia as diferenças entre a nova e a antiga emigração, traçando um perfil do emigrante português que mudou, que já não continua só a trabalhar em profissões não qualificadas no estrangeiro. 

As diferentes experiências, qualificações, proveniências e percursos de vida dos conselheiros das comunidades portuguesas apontados no artigo, são reveladores do papel político, económico, cultural e associativo que estes, conjuntamente com muitos outros compatriotas espalhados pelo Mundo, desempenham no desenvolvimento das suas pátrias de acolhimento e de origem.

Não obstante as comunidades emigrantes assistirem a choques geracionais, e na sociedade portuguesa subsistirem ainda incompreensões sobre a imagem do emigrante, a realidade é que o país continua a ter na emigração uma força motriz da economia. E como afirma Ana Cristina Pereira, “O emigrante já não é só o trabalhador agrícola ou o operário fabril. Pode ser qualquer um”.

quinta-feira, 16 de março de 2017

A estação pública de televisão e as comunidades portuguesas



No início do mês de março assinalaram-se os 60 anos da estação pública de televisão, cuja existência e percurso constitui um elo fundamental na memória de várias gerações de portugueses.

Remontando as emissões regulares da RTP – Rádio Televisão Portuguesa a 7 de março de 1957, data simbólica do seu nascimento, a estação pública de televisão, que atualmente além da televisão espraia-se ainda pela rádio e online, é detentora de uma história e património singular, fruto do seu impacto na vida coletiva dos portugueses, qual janela aberta para o mundo por onde passaram, e continuam a passar, vários acontecimentos e notícias importantes, algumas das séries e programas de referência. 

Na sua missão de serviço público pago pelos contribuintes, e assumindo-se como um instrumento estruturante para o desenvolvimento social, cultural e económico do país, a relação da estação pública de televisão com as comunidades emigrantes e a lusofonia, estende-se preferencialmente através dos canais RTP Internacional e RTP África, além da RDP Internacional, uma rádio de eleição para as comunidades portuguesas e os lusofalantes.

Mesmo ao nível do canal generalista, ou seja, da RTP 1, temos assistido nos últimos anos a uma maior abertura e atenção ao fenómeno da emigração, como é o caso por exemplo, da transmissão desde 2010 da série “Portugueses no Mundo”, que segue compatriotas residentes no estrangeiro, e a sua ligação e quotidiano nos diferentes países de acolhimento. 

Transmitida inicialmente aos sábados em horário nobre, as restantes temporadas foram sujeitas a mudanças do horário e exibição para domingo e quinta-feira, o que é exemplificativo da necessidade de ser atribuído decisivamente às comunidades portuguesas, o seu espaço e devida importância no seio da programação do canal generalista.

A difusão de programação variada e de qualidade sobre as comunidades portuguesas no Mundo, é não só um dever da missão de serviço público que a RTP 1 deve prosseguir, e ajustar à grelha de horário nobre, mas também um requisito necessário para se estabelecer uma ligação efetiva entre Portugal e os cidadãos residentes no estrangeiro.

sábado, 11 de março de 2017

Filme "Silêncio" um elogio à Diáspora Portuguesa



Na antestreia em Portugal do filme “Silêncio”, do multipremiado realizador americano Martin Scorsese, o Presidente da República Portuguesa declarou publicamente que a película que adapta o romance homónimo de Shusaku Endo sobre a pungente história do cristianismo no Japão constitui “um elogio à diáspora portuguesa”.

Partilho da ideia de Marcelo Rebelo de Sousa sobre este filme, que durante quase três horas retrata um período marcante da história portuguesa, designadamente a chegada dos portugueses, os primeiros europeus, ao Japão no século XVI, e as perseguições religiosas que os padres jesuítas sofreram durante a sua missão no território nipónico no decurso do século XVII. E subscrevo como o mais alto magistrado da Nação que a obra cinematográfica evoca a “nossa vocação ecuménica de estar em todo o mundo de formas diversas”.

No entanto, é de relembrar que a presença portuguesa no isolado Japão dos séculos XVI e XVII tinha sido já, há duas décadas atrás, refletida na obra cinematográfica “Os Olhos da Ásia”, do realizador João Mário Grilo. A dimensão missionária e evangelizadora dessa presença, assim como as ferozes perseguições movidas pelos xoguns aos missionários portugueses, receosos de uma eventual invasão por parte dos “bárbaros do sul” e temerosos da influência dos jesuítas nos nipónicos, encontram-se magistralmente vertidas no filme estreado em 1997 do cineasta luso.

Uma visão cinematográfica não invalida a outra, antes pelo contrário, complementam-se e alargam horizontes, e todos os trabalhos de qualidade sobre a história e cultura portuguesa são sempre bem-vindos. Mas não caiamos na tentação de valorizar mais o que vem de fora, esquecendo o que de bom se faz e realiza em Portugal, país que deu novos mundos ao Mundo, e que no caso do Japão mudou por completo os hábitos, a língua, a cultura e a história da “Terra do Sol Nascente”.